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Eu já não aguentava mais ficar trancafiado naquela sala. Sabe que ali, às vezes, parece um inferno? Quando o telefone decide tocar é uma ligação atrás da outra e por motivos que até Deus duvida. Resolvi bater perna e dar uma volta pelo hospital. “Por que não visitá-la?”, pensei.
Sei que já eram quase seis da tarde, hora de deixar o trabalho para o dia seguinte, e além do mais, era época de recesso das aulas. Sabia que você morava perto de mim, que teria de voltar para casa em algum momento, que poderíamos muito bem voltarmos juntos e... que... uma pitada de coragem seria necessária.
Naquele instante eu tinha minhas segundas intenções. Aliás, não só ali. Já havia algum tempo que Daniela se tornara obsessão. Pois bem, decidi vê-la.
Papo foi, papo veio e...
- Podemos voltar juntos hoje, né? – falei com uma tremedeira por dentro.
- É... sim. – pensativa, disse.
A verdade é que não lembro muito bem como é que foi o desenrolar da conversa, nem mesmo sei a maneira que ela respondeu. Só sei que a sorte estava lançada e algo que eu queria estava próximo de acontecer (ou não).
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