Texto que enviei para participar da promoção do ProibidoLer.com. Ficou em quarto lugar. Valeu pessoal!
Era 27 de fevereiro de 2005, data que antecedia o meu aniversário. Deveria ser um dia típico, claro; apesar de toda a expectativa nunca fui de comemorar meu aniversário de forma exuberante. Já reuni amigos, já passei sozinho, é uma data especial não tão especial. Vamos tratar dessa maneira! Mas neste dia, exato dia, resolvi fazer a loucura de reproduzir o famoso bate-e-volta. Atividade bem conhecida entre os jovens de qualquer cidade longe do litoral que consiste basicamente em acordar cedo, entrar no carro e partir rumo a uma praia, sem ter lugar onde ficar, sem saber quando voltar. O importante nessa atividade não é o bronze, não é a praia em si; tudo acontece em busca de diversão. Pois bem, para um bate-e-volta de verdade estávamos começando mal...
Diego Felipe, conhecido entre os amigos como Kikito, passaria em minha casa com seu carro às dez da manhã. No entanto, partimos para o Guarujá às duas da tarde. Eu, Kikito e Alexandre Bodó embaixo de um sol de ressecar o mamilo. Rodoviando a Imigrantes a fim de praticar a loucura. Chegamos lá, ainda havia sol. Não era carnaval, mas o espírito era o mesmo. Bodó, corpulento que só ele, já estava praticamente nu antes mesmo de descer do carro, eu procurava algo para me refrescar. Estava sendo dada a largada! Lembro-me bem de ter levado um Kit Sobrevivência (explicarei posteriormente no que esse kit consiste) e uma camiseta reserva. Bom, no mais tardar, retornaríamos daqui a vinte e quatro horas, não precisávamos de muita parafernália.
Aos que desconhecem, há uma avenida na praia de Pitangueiras, Guarujá, conhecida pelos seus barzinhos, tão conhecida que desconheço seu nome. Só sei que foi ali que a desgraça da véspera de aniversário começou. Havia uma quitanda com caipirinhas exóticas a R$ 5,00. Cinco reais numa caipirinha é um preço bom; não poupamos tempo. Em algum meio tempo dessa história, Kaio Gonçalves Pereira, um amigo nosso de longa data, apareceu acompanhado de sua namorada e uma amigona. Digo, amigona não porque era gostosa, era gorda o bastante para sentar sozinha na cadeira azul do metrô e preencher todo o espaço. Ainda lembro o seu nome: Vanessa. Ai Vanessa!
Depois de ter ingerido litros de caipirinha e..., infelizmente... ter... beijado a Vanessa, eu teria de abrir a torneira. O mal do álcool é o excesso de urina, mas pior que isso é quando ela gera um reboliço dentro do seu estômago. Aliás, o álcool é a melhor explicação do fato de eu ter ficado com a Vanessa. Ela havia se tornado a Kristen Bell num piscar d'olhos. Não resisti!
Chamei, através de um cochicho quase sem voz, o Bodó para um passeio até a praia. No fundo, ele talvez já soubesse o motivo e, talvez também, quisesse esvaziar a bexiga. Fomos com passos de lebre, não aguentava mais me contorcer. Lembro que era tarde, via aqueles bichos-de-luz voando e sobrevoando as luminárias do poste, crente de que já ia amanhecer. Será que já era meu aniversário?
Quando, enfim, na areia da praia, posicionei minhas pernas, abri minhas calças e, ainda que quase tremendo, segurei um pouco a urina. Senti naquele momento, um reboliço enorme dentro da minha barriga, como se algo além da urina fosse sair por algum buraco. Soltei o mijo. Estava diante da maior privada do mundo, mijando deliciosamente. Bodó havia se posicionado ao meu lado, também estava ali, visando o horizonte, procurando o botão da descarga. Eu, concentrado, senti que deveria soltar um peido. O reboliço na minha barriga talvez fosse isso: um peido reprimido. Mas tão infeliz quanto os beijos com a Vanessa, este peido pesou umas três toneladas. Junto dele, uma argila havia sido expelida e encontrava-se guardadinha na minha cueca. Momentos de tensão no caldeirão!
Tentei manter a calma, ainda não afoito, perguntei as horas para o Bodó. Ele não tinha horas. Gritou então para um pessoal que passava na parte não úmida da areia. Uma mocinha respondeu rapidamente: - "Meia noite em ponto!". Com uma cara de imensa alegria, Bodó vem em minha direção como se seu filho acabara de nascer. Era meu aniversário, fiquei perdido e ele, brutalmente, teria de comemorar junto comigo. Sendo assim, pegou-me pelo braço, apoiou a outra mão numa banda de minha bunda e levantou-me. Eu era um troféu e minha nádega era um belo molde para a argila. Tive pavor daquilo vazar por algum lugar e cair diretamente nele. Por um pouco menos de azar isso não ocorreu.
Voltamos conversando, embriagados ainda. Eu fazia estratégias de como contar a ele de que estava literalmente cagado. Sentia minha bunda fervendo a cada passo. Então vi o carro do Kikito estacionado a alguns metros dali, como um flash relembrei do meu Kit Sobrevivência. É agora que conto do que isso se trata.
O Kit Sobrevivência, para um homem, é nada mais do que uma cueca e um rolo de papel higiênico. Claro, inclui desodorante, escova de dente para alguns, gel de cabelo para outros; mas no meu caso, tão como naquela exclusiva hora, os dois primeiros itens eram os únicos que me interessavam. Pedi ao Bodó que encontrasse o Kikito e pegasse a chave do carro dele. Ainda sem entender, pedi para que voltasse sozinho. Eu ficaria esperando-o ali mesmo, próximo ao carro. Bodó ainda retrucou e disse que não iria. Tive de aplicar uma técnica que aprendi com a vida: convença um bêbado oferecendo mais bebida para ele. Foi assim que ele foi e voltou sem discutir. Talvez dessa mesma maneira, Bodó convencera o Kikito a entregar a chave do carro. Meus olhos brilharam ao ver o Bodó vindo com as chaves em mãos. Arranquei-as dele, abri a porta, peguei o kit e me troquei ali mesmo, no meio da rua. Bodó só foi entender depois que sentiu o cheiro da outra cueca que joguei embaixo de um carro. Eu estava limpinho novamente, era o que importava.
Voltamos junto do pessoal que, obviamente, disseram que demoramos. Desejaram-me os parabéns e tal. Crente de que minha noite não teria mais surpresas, tive de levar Vanessa até o apartamento dela. Moleza! Só não esperava que alguém gritasse "Está pagando promessa?" enquanto nos despedíamos com um beijo."







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