Aos dez era garoto.
Pobre menino!
Aos quinze fui um broto.
Aos vinte não sou nada.
Tropeço nas minhas próprias palavras
e perco a guerra fria na conquista do território.
O leite derramado. Agora choro!
Por hoje, sou um porco.
Um canalha disfarçado de culpa
nas cadeiras de uma sessão de cinema.
Sou um infiltrado e quem diria um frio na barriga.
Ou uma reclamação. Ou uma chuva de verão
que só molha, mas não resfria.
Antes eu era um grilo;
agora o grilo não é mais nada.
Coitado! Mal sabe das coisas que se passam...
E das vidas que se entrelaçam,
nem todas pertencem ao mesmo laço.
O nó que faço, desfaço.
Aos vinte eu me engasgo
e tropeço nas linhas dos meus traços.
Do turbilhão de avisos
ao estouro de uma mágoa.
Um vacilo cometido por mãos
que não esmurram, mas machucam.
E terminam, e machucam;
e começam; e terminam.
E machucam com murros invisíveis.
Num ano, vivi três vezes
em dois dias diferentes
para crescer mais cinco anos.
Aos vinte e cinco, sou risada.



















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