Ainda nessa semana que passara, resgatei da gaveta uma camiseta azul-marinho com os dizeres: Noção de Nada. Certo que a escrita é ilegível para aqueles que não conhecem, mas a expressão é forte de qualquer maneira. Trata-se de uma banda de rock carioca que teve seu fim no ano de 2007 deixando um acerto de 4 CDs e uma saudade imensa aos fãs.
Tive a oportunidade de assistir a alguns shows e a sensação sempre foi de explosão, liberdade. Com letras pessoais e arranjos rápidos, as músicas transpunham, ainda assim, um poder que se encaixaria na vida de muitos. Aposto que o último CD chamado Sem Gelo é uma tradução do seu dia-a-dia com um têmpero de samba.
Noção de Nada foi, por muito tempo, um dos destaques na cena underground nacional e, hoje, seus integrantes estão todos em projetos paralelos. Gabriel Zander, o Bil, vocalista do NdN, compõe uma banda que leva como título o seu sobrenome, Zander, e já dispara no cenário. Ele sempre foi bom em fazer tudo dar certo. A curiosa verdade é que no ínicio da banda, além de comandar o microfone era ele também quem tocava a bateria. E foi assim por muito tempo...
Dois anos após o fim da banda, Noção de Nada ainda empolga. Sem dúvida, está na cravada na história de muitos, em mim. E mesmo que ela não exista mais, eu não perderia a chance de conhecê-la caso você nunca tenha escutado.
Segue um vídeo da música Antes da Enchente gravado durante um show que tive a sorte de estar presente.
Com um enorme desprazer, entre 1998 e 2000 eu ficava na escola em período integral junto com uma galera cujo os pais ficavam fora de casa o dia inteiro. Numa fase de não tantos desprazeres assim, conheci a Legião Urbana e foi através de um amigo que tinha aquela coletânea da capa azul, preta e branca: o CD Mais do Mesmo. Isso foi em 99. Relativamente tarde comparando com a morte de Renato Russo, mas considerando que eu apenas tinha 12 anos, digo que não era de se esperar muito. Apesar de já conhecer algumas músicas deles na voz de outros artistas, aquilo tudo era uma enorme novidade.
As músicas daquele CD já haviam impregnado no meu cérebro. Adorava ouvir Meninos e Meninas, embora ainda não entendia a conotação por trás da música, e ficava redecorando o encarte toda vez que o som rolava. Tomei coragem e pedi o CD para minha mãe. Na verdade não foi bem um pedido, eu apenas disse a ela que gostava da Legião Urbana; alguns dias depois o mesmo CD da capa azul, preta e branca apareceu na mesa de centro de lá de casa. Tenho a certeza de que essa foi a melhor surpresa que já tive e o CD que mais ouvi.
De lá pra cá, Legião faz parte da minha vida, assim como da de muitos que cresceram nos anos 90 e que viam na música um repouso, um outro mundo. Li biografias, fui a shows covers, toquei todas as cifras possíveis, comprei camisetas, influenciei amigos, no entanto, envergonho-me por ter tido Legião Urbana no posto de banda preferida e ao menos ter decorado todas as músicas. Até porque confesso e, você deverá concordar, que nem todas as músicas que Renato compôs são legais. Entretanto, as letras dele são fortes, grandiosas e contemporâneas de qualquer maneira. Uma obra que jamais envelhecerá e que guardarei comigo até o fim dos meus dias. Vira e mexe, pego o violão, faço qualquer sequência de sol-dó-ré e pronto: está armado um show da Legião.
Graças a Legião Urbana fortaleci amizades, conheci pessoas, obtive inspirações, aprendi a tocar violão e uma imensa lista de grandes feitos. Impossível desconsiderar os momentos que essa banda me proporcionou.
Segue vídeo do último show da Legião tocando Os Barcos, a música mais bonita deles na opinião:
Nesta segunda, tão chata quanto as outras, estreiarei uma mini-sessão de bandas, músicas e afins que ainda marcam ou que já passaram pela minha vida. Espero que assim como se encaixaram para mim possam também tornar verdadeiras para os pouquíssimos leitores desse blog. E começa assim...
Poucos sabem o quão veemente é a minha admiração e sentimento pela banda Fullheart. Uma banda que teve seu fim no ano de 2007, mas que ainda mantem seus fãs fascinados com a obra deixada. Com um hardcore ousado - e não confunda com outros gêneros - e letras tão fortes quanto uma batida entre dois caminhões em alta velocidade, Chinho e companhia fizeram o que é, para mim, o repertório mais verdadeiro do cenário nacional; uma história resumida em três CDs que nunca deixarei de ouvir.
Conheci Fullheart por acaso, creio que no ano de 2004, quando eles fizeram um show surpresa dentre outras bandas que tocavam. No primeiro instante soou estranho: um gordo meio desafinado gritando e pulando em cima do palco. Aquilo era estrepitoso! Mas todo amor a primeira vista tem uma certa rejeição no princípio. Daí em diante, esqueci o que era vazio e preenchi meu coração. Coração completo!
E Revisando Conceitos é o nome de uma das músicas desta excelente banda.