Nos meus onze anos, numa data próxima ao meu aniversário; meu pai havia chegado bêbado em casa. Beber não era costume dele (ou melhor, ainda não havia tornado um), mas sempre passava no bar da esquina de casa, depois do trabalho, para encontrar os amigos.
Mamãe não encontrava mal nenhum nisso. Algumas vezes até reconhecia que papai chegava menos estressado, ainda mais depois de um árduo dia de trabalho; porém desta vez, ela não suportou o fato da embriaguez.
Eu havia visto papai naquele estado apenas uma vez porque mamãe tirou-me de perto dele nas outras três, e sempre agia agressivamente quando estava embriagado. Dizia a mim que bebia para aliviar-se dos grandes problemas. Eu escutava de longe os gemidos da agressão de papai.
Vi aquelas cenas se repetirem outras vezes mais. Quando um dia resolvi intervir na briga e defendi mamãe. Meu pai, ainda querendo agredi-la, ficou quase sem reação ao me ver no meio dos dois. Se ele transformava o alívio dos problemas em agressão, eu só via a bebida transformada em sofrimento da minha mãe. Crescendo, vi a separação de meus pais a cada dia, e fui excluindo os maus exemplos que papai me mostrava.

















