Preciso de silêncio. Apenas o som da respiração deste nariz entupido pode denegrir este momento e, claro, o deste lápis que está a riscar o papel. Enquanto exijo concentração, presto atenção no vento que entra, no vento que adentra meu recinto. Perco o foco, me afogo!
Rebuscando aquilo que havia perdido, tiro os óculos e expremo os olhos como que adiantaria. As palavras não vêm do além, exige esforço, paciência, esforço, paciência, repetição e conhecimento... Numa boa escrita emprego a vírgula, culpo o travessão e demito os erros. Justa causa? Nem sempre; às vezes, também, erros passam despercebidos, sequer recebem punição. Faço a releitura, um telefonema entre frases, acentuo, faz frio, fecho a janela, apago o que não agradou.
Pois escrevo porque sinto o bem. Sem importar se sou lido, se dou riso. Apenas dedico de mim, o que possa servir para outros, o que é parte do que sou. Algo que seja coerente, apreciado, precioso... E nunca, de maneira alguma, mesmo com a mais indelicada persuasão desencantar-se pelo que escreveste. Contanto que tenha sido feito com vontade, com o coração; é impossível, incapaz, desgostoso não firmar chão com as palavras escritas.
Reponho aquilo que havia encontrado, forço os olhos contra o papel, recoloco os óculos. Palavras interpretadas são fantasias, faz voo, crescimento, traz cura... Numa má escrita desemprego o autor, critico, argumento, proibo minha leitura. Injusto? Com certeza não; sou exigente comigo, exijo o treino, a beleza, meu riso sincero. Refaço mentalmente a estrutura, vejo a briga entre frases, levanto, faço birra, rasgo o papel. É amargo o que desagrada.