
Quente colo confortável em que deito meu peso;
perco-me nas pálpebras fechadas do meu corpo.
Um navegar de sono! Não vou trocar de trono.
Sou todo seu, colo meu, como nunca de ninguém fui;
é descanso de um cansaço de nada. Cansaço por nada!
Carícia no pé do cabelo cheirando fumaça (de cigarro).
Pobre, suado! De quem falo nesta hora da madrugada?
Hora de esquecimentos! Digo das incertezas; pois,
se repito um erro, é sexta que nos veremos. Colo...
de coxas finas e vestes nuas, escutas minha voz?
Responda com um balançar e volto a fingir que durmo.
É voltar a dormir um sono de nada. Sono por nada!
Acorda cedo para enfrentar o dia, para enfrentar o ônibus cheio, para cumprimentar seus colegas de trabalho, para no fim do mês ter alguma retribuição. Se disso é o que vale o tempo, percebo que um dia de cada vez é demorado demais. Semanas viram meses, a casa vira abandono. Enquanto cansamos o corpo e lutamos por um alívio do emocional e dos constrangimentos, concluimos que a tese do 'enobrece o homem' cai por água abaixo e comparamos velhos hábitos os imortalizando como bons tempos.
Não vivo, sobrevivo. Do dinheiro que sobra não vejo nada, os amigos que tenho não encontro, os amores que quis continuo querendo. Estranho pensar que por toda uma vida você passou planejando caminhos para que fizessem sentido e para que te satisfizessem, pensando em estudo, trabalho e dinheiro como axiomas de fácil acesso. Volto ao dia a dia igualando-os com batalhas de uma guerra. O vencedor é o tempo que acaba levando todo seu conhecimento ao ralo, todo seu dinheiro aos outros, todo o seu cansaço para uma falta de descanso, toda a sua vida para uma nostalgia e uma sucessão de resguardas.