1. 03 March 2010

    Cantos e cantos

    Cantos e cantos.

    Tão tropeços os meus cantos,
    mofam de velhos e já são tantos.
    Mas mal sei por onde andam,
    se são meus, ou se ainda cantam.

    Quantos cantos têm minha casa,
    se agora é brasa e não há paredes?
    Vejo um rosto magro que disfarça,
    com um riso sem graça, a fome da sede.

    Sede tem fome! A fome não cede!
    Porém, o que incendeia são os olhos;
    que vê com outros olhos, os cantos nas paredes
    sopradas com prantos pelo vento de ódios.