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  1. 11 fevereiro 2010

    Sacada amarela

    A falácia

    Eu a pensar que a resposta curta seria a melhor,
    imaginar ter todas perguntas de cor...
    Eu saberei que um outro dia poderemos nos encontrar,
    numa quarta-feira em qualquer lugar que não seja aqui...
    Esmurrará meu rosto com um beijo sem gosto,
    e diria que foste um belo almoço. Até logo mais...
    Como uma ordem, seu sorriso veio apagar...
    a única estrela que estava a iluminar...
    Minha sacada amarela...

    E então mais uma noite fria amanhecerá,
    e novamente o meio-dia será o jantar...
    Por passar o tempo tiraste o sol quando quis me ver
    entristecido pensando em correr perigo...
    Neste imenso deserto e nada sempre pode me esquentar,
    a areia-neve ainda quis saborear...
    Meus pés descalços no chão...

    Oh coleção de infames criações de um coração...
    Idéias ilimitadas imitadas em uma canção...
    Os pensamentos de meu mundo surreal...
    Que mesmo distante parece ser tão normal...
    Nossa sacada amarela...

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  2. 13 dezembro 2009

    O caminho de volta

    Estamos indo de volta pra casa...

    [...]

    Eu já não aguentava mais ficar trancafiado naquela sala. Sabe que ali, às vezes, parece um inferno? Quando o telefone decide tocar é uma ligação atrás da outra e por motivos que até Deus duvida. Resolvi bater perna e dar uma volta pelo hospital. “Por que não visitá-la?”, pensei.

    Sei que já eram quase seis da tarde, hora de deixar o trabalho para o dia seguinte, e além do mais, era época de recesso das aulas. Sabia que você morava perto de mim, que teria de voltar para casa em algum momento, que poderíamos muito bem voltarmos juntos e... que... uma pitada de coragem seria necessária.

    Naquele instante eu tinha minhas segundas intenções. Aliás, não só ali. Já havia algum tempo que Daniela se tornara obsessão. Pois bem, decidi vê-la.

    Papo foi, papo veio e...

    - Podemos voltar juntos hoje, né? – falei com uma tremedeira por dentro.
    - É... sim. – pensativa, disse.

    A verdade é que não lembro muito bem como é que foi o desenrolar da conversa, nem mesmo sei a maneira que ela respondeu. Só sei que a sorte estava lançada e algo que eu queria estava próximo de acontecer (ou não).

    [...]

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  3. 27 setembro 2009

    Um mundo vestido de branco

    Pés Descalços

    Ao andar esqueci de calçar os sapatos. Fui sem proteção; tão empolgado que meus pés nem reclamaram. Via a penumbra de seu corpo ao longe, ainda vestido, coberto com um jaleco branco costumeiro. E nem era sonho! Até pouco tempo, não via nada diferente daquilo: um sorriso combinando com o vestuário. O andar andou depressa, eu corria e parecia nunca chegar. E era quase um pesadelo! Por que quis te alcançar? Quase nem percebi que você transformaria-se num mundo. Um mundo vestido de branco; meu novo habitat. Pois se hoje moro em ti é porque ontem perdi as rédeas, ganhei coragem e caminhei contigo num trajeto interminável. Havia esquecido os sapatos, mas ao certo, o juízo é que ficara em casa. Mas tudo bem, por vez, na sua casa eu me reencontrava.

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