1. 19 November 2010

    Maltrato em tom de denúncia

    Maltrato em tom de denúncia

    O céu todo azul fez-se cinzento com o poder das palavras:
    "Vai chover." - era o que dizia com voz trêmula e incerta.
    Ao certo, não sei porque tanta água caia nas minhas costas
    estreitas. Coitadas! Ardiam feito chama em couro, fogo em pele.
    A cada golpe desviava o olhar molhado de vossa estupidez.
    Mais tapas, mais ardência em meu corpo. Ardor que doia!
    Não era como o amor. Ardia e eu via tal dor. Ardia!
    Seu céu pesou em meus ombros. Tempo ao tempo...
    Ainda espero, já cansado. Quando nossas vidas decidirão
    se encontrar? Sentei, deitei, levantei, chorei em pé.
    Pesado ainda era meu corpo. Pensava: "Tanto desgasto."
    Vida, sou eu. Acordei e vim visitá-la. Não trago presentes;
    não trago vestígios; não trago segredos; não trago nem fumo.
    Só trago restos de réguas quebradas. Milimetradas! Metrificadas!
    Mastigadas! Minimizadas! Sem tréguas, sem regras, sem marcas.
    Trago a chuva ácida que corroe minhas costas vermelhas.
    Vida, trouxe o céu azul de volta. Eu trouxe alegria;
    planto tristeza em solos não férteis. Maltrato minhas costas!