Lendo as velhas letras no caderno,
lembro dos seus olhos cor-de-mel.
Nesses versos fedidos e sinceros,
vejo minhas lágrimas secas no papel.
Ainda se fosse de fato verdade
o que os fedidos versos diziam,
estaria eu feliz e falante e,
pelas ruas nossas bocas ririam.
Não quero forçar um reencontro,
nem nada fora de alcance.
Queria ter em seus olhos, querida,
os dias que não tive chance.
Agora novidades não há.
Se houvessem, eu diria.
Talvez, sorriria também;
mas por que sorrir
quando não há motivos?
Novidades ainda não há.
Se houvessem, não mudaria.
Apenas repetiria um verso;
mas por que repetir
quando não estão vivos?
Reescrevo, sem vontade nem força,
novos garranchos miúdos no caderno.
Vejo nos seus olhos cor-de-mel
as rimas de um verso moderno.






