1. 17 March 2010

    Só corro, socorro!

    Socorro!

    Da prosa, vem a rosa; da rosa, o raso;
    do abraço, os braços; do traço, o troço.
    Vem do nosso, o meu; de tu, o vosso;
    do vosso, o vaso; do vaso, a voz;
    da voz vem nós; de nós vem nada.
    Vai do nada, o nado; do nado, o ando;
    do ando, eu corro; só corro, socorro.
    Da morte, o morro; do morro a mata;
    da mata, o mato; do cão vem o gato;
    e do gato, outros tantos; dos prantos,
    os pratos; dos pratos, vem a prata;
    da lata, o luto; do luto, a luta;
    da luta a arma; de amar a puta;
    da fruta a polpa; da roupa o trapo;
    no teatro a peça; do pedido o não.
    Vem do não, o talvez; do talvez,
    outra vez; e do três, vem o dois.
    Se vier dois, vem o fim; do fim,
    não vem nada; do nada, vem o nado;
    do nado, o ando; do ando, eu corro;
    e do corro, o resto; no rosto, a risca;
    vem da risca, o risco; do riso, o raso;
    do raso, a rosa; vem da rosa, o prazo.
    Do prazo, a prosa esperando resposta.