Quando nossos corações se juntam,
ainda que cada qual em seu corpo,
ouço um sussurro no pé dos ouvidos.
De tão mudo é quase um silêncio.
Vem de longe mas está entre nós
esse sopro de som feito café com pão,
café com pão e segue e não para.
Neste abraço terno (que junta corações)
até o infinito rende-se ao tempo,
faz deste único momento o infinito de nós dois.
Existe entre você e eu um mundo a zelar,
pois há futuro onde não há descuido.
Descuidos são corações que se separam.
Mas estes corações que se abraçam
são os mesmos que levam pouca gente?
São corações, neles toda gente é pouca.
Toda gente é pouca... toda gente é pouca.
Neste abraço eterno que espanta solidões,
até o perigo pendeu-se ao vento,
fez do voo um pouso longe de nós dois.