Trezentos e sessenta e cinco
que num só ano não há vínculo.
Perco-me no tempo
como o som do piano no ar,
como o sono em noite de Lua.
Há de convir que razões não faltam,
pois neste espírito corrido
apenas o que sentimos é cansaço.
Passam segunda, terça e a semana
num único piscar de olhos e,
quando no mais tardar damos conta,
a contagem regressiva encerra-se.
Trezentos e sessenta e cinco;
então recomeçamos.
Na trajetória do vento,
embico na 13 de maio
crente da proximidade com a 23.
Logo atrás, tinha a 25 de março
acompanhada de uma data distante:
XV de novembro de sei lá quando.
Expectante pela chegada na 7 de abril,
reparo que na paralela segue a 24...
de maiô em pleno centro
vinha a moça dificultando o trânsito:
- Tudo parado na 9 de julho!
E no calendário urbano que vivo
deito-me no leito
como as mãos num trágico rosto,
como um mendigo em plena rua
sem data nem nome nem saída.
Trezentos e sessenta e quatro...
que num só ano não há retrato.