1. 08 February 2010

    Muito mais desgosto do que uma simples queda

    Uma simples queda

    Se meu corpo ferido pender rumo a queda,
    Sei que sorrisos esnobes passarão a ser palidez em seus lábios.
    Será como ver meu sangue te banhando, meu bem.
    Sabe quando a vingança torna-se remédio?

    Acha que não desconfio de todas as suas esperanças
    Ou atitudes que me deixa ajoelhado a seus pés?
    Seria muita inocência de sua parte.

    Seu orgulho trouxe apenas desconforto, e confesso,
    Muito mais desgosto do que uma simples queda.
    Não entendo a injustiça que cobre as cabeças dos que
    Se apaixonam e sofrem, dos que se idolatram e morrem,
    Dos que se encorajam e correm.

    Quando meu corpo ferido pendeu rumo a queda
    E sorrisos esnobes passaram a ser palidez em seus lábios.
    Foi como ver meu sangue te banhando, meu bem.
    Sabe quando a vingança torna-se remédio?

    Conheço bem as pessoas que me querem mal
    E parece que não me quis assim o tempo todo, não é?
    Faço da queda meu próprio passo de dança.

  2. 28 January 2010

    É desespero!

    O desespero esteve no grito.

    Lá está você como aqui nunca esteve
    indo de encontro ao outro
    responder se haveria chances de tê-la.
    imenso horror em que vivo, grande bandido
    ousou me enfrentar e roubá-la de mim.
    De onde surgem motivos para acabarem comigo?
    ouvi dizer que não passo de mais um amigo, mas
    Vale lembrar que o "nunca" nunca deve ser dito.
    ardentes lábios gelados que ainda não pude sentir.
    lá você está como nunca esteve aqui,
    encantada com as palavras que nunca saíram de mim.

  3. 21 January 2010

    O jantar dos autores vaiados

    Whisky a Go Go

    - Traga mais uma dose e sirva-nos!
    - gritei em tom amargo para causar espanto.

    - Não me omita sua vida, pobre poeta,
    desconfio de todos seus temíveis prantos.

    - Não mentirei que me sinto fraco por dentro,
    mas não conto detalhes de meu sofrimento a ninguém.

    - Nem mesmo para um outro mísero velho
    amigo que confessa lhe querer bem?
    - via o garçom assustado trazendo a bebida cuidadosamente.

    - Apenas meus versos sabem como estou.
    Poemas que nunca ninguém lera.
    - e com os olhos fechados, seu rosto deitou.

    - Como ousa dizer uma bobagem dessas? - indaguei.

    - Repetirei que eles não fazem noção.
    Todos lêem minha vida com vidrados olhos,
    mas olho vidrado não é coração.

    - Desculpe-me, caro amigo, mas desta não concordo,
    - continuei e virava mais um guloso gole ardido -
    sei bem que suas rimas é seu breve retrato.
    Bendita Paris, achaste que havia partido?

    - Não finja saber algo sobre mim.
    Só eu sei o que ferve meu sangue.

    - Pois eu sei muito bem o que sentes, covarde!
    Somos filhos da mesma gangue.

    - Grite mais alto, demônio em pessoa,
    todos adorariam saber o que guardo.

    - Controle-se! Ainda não acabamos nossa conversa.

    - Espero que ninguém tenha escutado.

    - Não se preocupe. Esquece que ninguém nos ouve?

    - Cale-se! Não te aguento mais, cafajeste.

    - Tolo, ainda somos dois no mesmo corpo,
    pensando num verso que realmente preste.