Se meu corpo ferido pender rumo a queda,
Sei que sorrisos esnobes passarão a ser palidez em seus lábios.
Será como ver meu sangue te banhando, meu bem.
Sabe quando a vingança torna-se remédio?
Acha que não desconfio de todas as suas esperanças
Ou atitudes que me deixa ajoelhado a seus pés?
Seria muita inocência de sua parte.
Seu orgulho trouxe apenas desconforto, e confesso,
Muito mais desgosto do que uma simples queda.
Não entendo a injustiça que cobre as cabeças dos que
Se apaixonam e sofrem, dos que se idolatram e morrem,
Dos que se encorajam e correm.
Quando meu corpo ferido pendeu rumo a queda
E sorrisos esnobes passaram a ser palidez em seus lábios.
Foi como ver meu sangue te banhando, meu bem.
Sabe quando a vingança torna-se remédio?
Conheço bem as pessoas que me querem mal
E parece que não me quis assim o tempo todo, não é?
Faço da queda meu próprio passo de dança.
Lá está você como aqui nunca esteve
indo de encontro ao outro
responder se haveria chances de tê-la.
imenso horror em que vivo, grande bandido
ousou me enfrentar e roubá-la de mim.
De onde surgem motivos para acabarem comigo?
ouvi dizer que não passo de mais um amigo, mas
Vale lembrar que o "nunca" nunca deve ser dito.
ardentes lábios gelados que ainda não pude sentir.
lá você está como nunca esteve aqui,
encantada com as palavras que nunca saíram de mim.
- Traga mais uma dose e sirva-nos!
- gritei em tom amargo para causar espanto.
- Não me omita sua vida, pobre poeta,
desconfio de todos seus temíveis prantos.
- Não mentirei que me sinto fraco por dentro,
mas não conto detalhes de meu sofrimento a ninguém.
- Nem mesmo para um outro mísero velho
amigo que confessa lhe querer bem?
- via o garçom assustado trazendo a bebida cuidadosamente.
- Apenas meus versos sabem como estou.
Poemas que nunca ninguém lera.
- e com os olhos fechados, seu rosto deitou.
- Como ousa dizer uma bobagem dessas? - indaguei.
- Repetirei que eles não fazem noção.
Todos lêem minha vida com vidrados olhos,
mas olho vidrado não é coração.
- Desculpe-me, caro amigo, mas desta não concordo,
- continuei e virava mais um guloso gole ardido -
sei bem que suas rimas é seu breve retrato.
Bendita Paris, achaste que havia partido?
- Não finja saber algo sobre mim.
Só eu sei o que ferve meu sangue.
- Pois eu sei muito bem o que sentes, covarde!
Somos filhos da mesma gangue.
- Grite mais alto, demônio em pessoa,
todos adorariam saber o que guardo.
- Controle-se! Ainda não acabamos nossa conversa.
- Espero que ninguém tenha escutado.
- Não se preocupe. Esquece que ninguém nos ouve?
- Cale-se! Não te aguento mais, cafajeste.
- Tolo, ainda somos dois no mesmo corpo,
pensando num verso que realmente preste.