Passarão mais semanas, passarinhos piarão,
passearei por ai com passos sem pegadas.
Quando os sábados não chegarem, xingarei o tempo;
xingarei também os domingos quando passarem.
A vida transcorre contra o meu próprio gosto,
pois morre a cada dia quando o sol está posto.
Tão tranquilo o mundo lá dentro de casa,
de uma cena real da qual não passa de imaginação.
Do tremor à caça, da frustação para uma outra;
nas voltas da Terra é que meu cérebro enlouquece,
com o mesmo efeito os dias passam e trazem outros.
Amanhã, depois de amanhã, depois e depois de amanhã
e uma longa repetição de amanhãs que amanhecerão.
Eu com os mesmos olhos acordados e sonhadores,
relembrando da tranquilidade do mundo lá dentro de casa.