Dessas sobras de planos guardemos apenas os alcançáveis,
aqueles que fazem sentido, ou ainda, os que cor não perderam.
Vamos juntar as migalhas, quem sabe algo melhor nos surpreenda;
e nessa nossa viagem no tempo possamos resgatar o esquecido.
É mesmo fascinante ver que não perdemos o brilho;
os nossos dentes velhos refletem os dias bem vividos.
Das tristezas não me lembro, já nem sei se existiram.
O fato é que crescemos nos amando e mentindo;
confesso: mais mentiras do que amor entre nós,
mas nada que faça estremecer ou curvinhar a voz.
E vinha contando do seu tempo de menina;
da vida saudável, porém vazia. Tempo de rimas.
Havia sorrisos e soluços engasgados... misturados;
nossas faces cruzavam-se num momento infantil.
Lembranças malvadas; dourado era o tempo de criança.
Já pulávamos partes, assim como pulávamos corda.
Saltitantes... brilhantes... brinquedos... briguentos;
depois fazíamos as pazes cantando a ciranda maliciosa.
Entre no círculo. Arrisque! Provoque! Fique por um fio.
Conte verdades, invente histórias; faça o desafio.
Saudades dos tempos de escola, da professora de português;
de cansar brincando, de brincar cansado.
"- Sua vez de dizer o que na sua mente se passa."
Com toda exatidão, não hesitei. - "Lembro do nosso tempo de aventuras,
de se esconder em outras ruas, procurando um refúgio
para que nossas bocas sem urros pudessem se encontrar."
Vi um branco na face da outra que em desespero fingiu não lembrar.
Não preocupei-me, mudei de lembrança. "- Lembro dos antigos vizinhos,
daqueles que reclamavam sozinhos em ver a gente se divertir."
Os nossos outros amigos não vejo por onde andam.
Se ainda andam, não sabemos... talvez nunca saberemos.
Por tanto tempo juntos, agora vemos noutros mundos a solução.
Queria estar bem longe para sentir na pele a falta que me faz.
E se, hoje, eu não faço em ti nenhuma diferença,
talvez um dia amanheça com saudades de mim.