Sinto um gosto amargo daqueles que amarram a boca e, ainda que pareça ruim, veio depois de tanta delícia saboreada. Mas como eu desgustaria um caju sem esperar que ele acabasse? Pois bem, como mesmo sei, canso fácil das metáforas: minhas férias acabaram.
Receio em dizer (e pensar) que logo logo o trabalho me aguarda. Aprontando em mim suas mais variadas armadilhas, cansando a mim e ao meu corpo. Temo confessar, também, que volto disposto; com uma leve e tímida saudade. É parte do homem ter um trabalho, mas um verdadeiro homem surge somente após gozar de suas férias.
Não há período melhor, não há. Descanso transforma-se, definitivamente, em desligar-se do mundo. Acordar às onze da manhã (ou com o caminhão do gás passando na rua) sem ter que necessariamente levantar da cama. Pensar em fazer algo e poder adiar isso ao máximo como, por exemplo, tomar café. Depois, sei lá, sentar no sofá ainda de pijama, por os pés sobre a mesa central da sala, ligar a TV e... fechar os olhos novamente. Dane-se o mundo, estou em férias.
Nesse tremendo universo paralelo, sua maior preocupação é que o telefone não toque com alguém do trabalho na linha. Aliás, o único trabalho mesmo durante as férias é fazer com que o tal dia do fim demore a chegar. Enfim o dia do fim chegou, mas sei que o tempo em casa foi bem aproveitado.