Das semanas que passaram,
a última pareceu tão rápida.
Não sei se foi o sábado,
muito menos o que antecedeu.
Pois dizia: "Por baixo dos panos."
E fiquei sem entender. Tão grilo que sou
com um nó na cabeça!
Nos encontramos descendo as escadas,
subindo os degraus, passo-a-passo,
abraçamos os corpos e subimos as escadas.
Antes, disse alguém: "Ano que vem namoram mais!"
E sorrimos para agradá-lo e sem muito papo
pensei eu: "Ano que vem está longe demais."
As luzes acesas anunciavam o fim.
Despedida chata! A música parada
celou os passos da nossa dança.
E você dançava descalça e baixa.
E nós dançávamos escondidos.
Aos dez era garoto.
Pobre menino!
Aos quinze fui um broto.
Aos vinte não sou nada.
Tropeço nas minhas próprias palavras
e perco a guerra fria na conquista do território.
O leite derramado. Agora choro!
Por hoje, sou um porco.
Um canalha disfarçado de culpa
nas cadeiras de uma sessão de cinema.
Sou um infiltrado e quem diria um frio na barriga.
Ou uma reclamação. Ou uma chuva de verão
que só molha, mas não resfria.
Antes eu era um grilo;
agora o grilo não é mais nada.
Coitado! Mal sabe das coisas que se passam...
E das vidas que se entrelaçam,
nem todas pertencem ao mesmo laço.
O nó que faço, desfaço.
Aos vinte eu me engasgo
e tropeço nas linhas dos meus traços.
Do turbilhão de avisos
ao estouro de uma mágoa.
Um vacilo cometido por mãos
que não esmurram, mas machucam.
E terminam, e machucam;
e começam; e terminam.
E machucam com murros invisíveis.
Num ano, vivi três vezes
em dois dias diferentes
para crescer mais cinco anos.
Aos vinte e cinco, sou risada.