1. 07 March 2010

    Balé dos pés descalços

    Pés Descalços

    Das semanas que passaram,
    a última pareceu tão rápida.
    Não sei se foi o sábado,
    muito menos o que antecedeu.
    Pois dizia: "Por baixo dos panos."
    E fiquei sem entender. Tão grilo que sou
    com um nó na cabeça!
    Nos encontramos descendo as escadas,
    subindo os degraus, passo-a-passo,
    abraçamos os corpos e subimos as escadas.
    Antes, disse alguém: "Ano que vem namoram mais!"
    E sorrimos para agradá-lo e sem muito papo
    pensei eu: "Ano que vem está longe demais."
    As luzes acesas anunciavam o fim.
    Despedida chata! A música parada
    celou os passos da nossa dança.
    E você dançava descalça e baixa.
    E nós dançávamos escondidos.

  2. 05 March 2010

    Balé das oito pernas

    Balé das oito pernas - Clique para ampliar

    Aos dez era garoto.
    Pobre menino!
    Aos quinze fui um broto.
    Aos vinte não sou nada.
    Tropeço nas minhas próprias palavras
    e perco a guerra fria na conquista do território.
    O leite derramado. Agora choro!
    Por hoje, sou um porco.
    Um canalha disfarçado de culpa
    nas cadeiras de uma sessão de cinema.
    Sou um infiltrado e quem diria um frio na barriga.
    Ou uma reclamação. Ou uma chuva de verão
    que só molha, mas não resfria.
    Antes eu era um grilo;
    agora o grilo não é mais nada.
    Coitado! Mal sabe das coisas que se passam...
    E das vidas que se entrelaçam,
    nem todas pertencem ao mesmo laço.
    O nó que faço, desfaço.
    Aos vinte eu me engasgo
    e tropeço nas linhas dos meus traços.
    Do turbilhão de avisos
    ao estouro de uma mágoa.
    Um vacilo cometido por mãos
    que não esmurram, mas machucam.
    E terminam, e machucam;
    e começam; e terminam.
    E machucam com murros invisíveis.
    Num ano, vivi três vezes
    em dois dias diferentes
    para crescer mais cinco anos.
    Aos vinte e cinco, sou risada.