Perfeito foi o adormecer da noite
em que nossos sonos acumulados
rejeitaram as camas desarrumadas.
Sua face moribunda procurava
repouso no meu ombro magro;
por vezes tarado ao sentir
sua pele morna esquentar-me.
Em suas batalhas contra o cansaço,
quase fora derrotada na parte do cochilo.
Ficamos de dedos entrelaçados,
acariciando nervos e as dobras.
Eu ria de bobo... Gargalhava!
Gostoso sentir o seu peso
sentado neste sofá...
o filme chatérrimo na TV;
você sem sorrisos no olhar.
Reparava nas suas unhas vermelhas
que não combinam com sua pele,
nem com seus braços largos
nem com seus dedos grossos.
Não há proporção com seu corpo!
Olhei-te como monstro. Fiz cara feia!
Mas a imperfeição era só pensamento mundano.
No fim, reclamaste da minha inquietação.
Não revidei! Sosseguei-me,
ceguei-me e dormi antes que teus olhos!