1. 27 July 2010

    Deselegância em quatro pés

    Dose

    Quando passar por mim, diga que não vai ser tão forte
    Porque eu tentarei fugir mesmo sem ter o meu norte.
    No embalo da canção junto com o vento elegante,
    Tanta sujeira em volta dos olhos receosos e distantes
    Dos dias em que enfim, trocarei nossas mãos por pernas.
    E correremos com mais vontade, se é o que interessa;
    Chegar até as nuvens com quatro pés e presentes
    Que entregaremos aos homens e mulheres mais carentes.
    Também desprovidos de atenção, alma, sorrisos e um coração.
    Há diferença em não estar consternado então?

  2. 27 May 2010

    Crônicas da imaginação

    Crônicas da Imaginação

    Até que ando sorridente por esse tempos.
    Chego a esquecer o motivo de tantos sorrisos às vezes.
    Mas sabe, o mundo girou com mais suavidade nesse ano.
    Foi quase tão perfeito como um filme e o "viveram felizes para sempre".
    Comovente pensar por esse lado, não é verdade?
    Quem dera eu ter encontrado alegria nesse sentido!
    Bem, eu só queria que você partisse sem eu sentir falta.
    A despedida deixa aquele clima de perda. A sua ausência vira saudade.
    Eu nem pensei mesmo em ter-te por tanto tempo assim.
    Ah! Ontem foi tão maravilhoso quanto confuso.
    Ainda insisto em desentender o porque agimos desse jeito.
    Hoje enfrentar como se nada tivesse acontecido.
    Aliás, você lembra de algo que não nos comprometa?
    Qualquer que seja, finja que é apenas imaginação.
    Tem horas que me surpreendo o tanto que crio situações.
    E essa não passa de mais um pensamento mundano.

  3. 09 February 2010

    Criança brincando de ser poeta

    Criança brincando de ser poeta

    Num momento de loucura,
    ele pensou em partir sem rumo
    apenas com o temor e a bravura;
    no bolso, um maço de fumo.
    Cego o bastante para não ver nada,
    correu pelas ruas de terra batida,
    enfrentou geladas noites e madrugadas
    coberto apenas com o suor que desde a partida
    fazia feder e espantar a todos que
    ajuda sempre tentava em vão.
    Viste só o sofrimento? Agora pense você
    que esse ocorrido não passou de imaginação,
    pois mesmo na loucura, ele foi capaz
    de ver seu futuro e todos os sonhos
    jogados ao lixo. Olhe só o que o desespero faz!
    E apenas voltou a ter os olhos tristonhos.

  4. 14 November 2009

    Agosto em desgosto (ou quando preferir)

    Ê soninho bom!

    No frio da madrugada de hoje, ninguém escutava o barulho de pneus velozes na avenida, só a respiração profunda do meu irmão na cama ao lado; podia-se ouvir também o cachorro bebendo água no quintal; no quarto totalmente escuro, o despertador marcava duas e quarenta e oito; a janela de alumínio estralava de minutos em minutos.

    Cobri a cabeça e fechei os olhos. Uma moto solitária rasgou o ar na avenida e, mais um estralo da janela. A inquietação tomou conta de meu corpo como um demônio, eu virava de um lado para o outro, tentando uma posição cada vez mais confortável. Encostei minha cabeça na parede e comecei a viajar na imaginação: o vizinho ficou preso no portão tentando passar por ele quando estava fechando, de repente, virei herói quando salvei uma garota caindo de um prédio, logo após, eu já era um apaixonado entregando flores à amada.

    E fui voando entre as salas da imaginação até que te vi morrendo. Decidi não mais pensar em nada, mas isso era impossível. Abri os olhos: o mesmo quarto escuro; no relógio já eram três. Fechei-os e cobri a cabeça.

    Estava frio demais, parecia que a cidade inteira dormia, menos eu. Voltei a me concentrar no sono; do nada, eu já era dono de uma empresa conceituada, casado com a menina dos meus sonhos e levando os filhos para o zoológico. Vaguei até que pensei num suicídio. Evitei pensar em mais nada. Logo depois, eu já não lembro, devia estar dormindo.