Põe mais sal, tem pouca comida;
Falta a salada, falta a bebida.
A mesa falta, falta a família,
a reza longa; mas tem fome e fadiga.
Falta tempero, nó na barriga;
a gula de uns acaba em briga.
Falta o arroz, falta a marmita;
resta a bebida matar a sede.
Cadê a água? Cadê a rede?
O pé descalço, o chão quente;
falta a tinta pintar a parede.
Para um banho falta o sabonete;
falta vergonha para limpar os dentes.
O que não falta é amor entre a gente!
Falta miséria, falta cautela;
não vão à escola, não vejo novela.
Restam homens, faltam donzelas;
matam árvores, sobram velas;
faltam problemas e cinderelas.
Falto com a sorte, fartam dilemas;
escassez de poesia nos meus poemas.






