Funciona quase como um ritual: o elevador aponta o décimo sexto, saio às pressas, sempre reparo rapidamente a cortina fechada da janela de seu quarto, mais alguns passos, toco a campainha do 158-A, tampo com o indicador a visão do olho mágico e puxo com a outra mão a maçaneta para que sinta dificulta em abrir a porta. Aguardo o ruído da chave liberando o trinco e boto ainda mais pressão na maçaneta. Um segundo depois, abro o sorriso, suavizo a força sobre a maçaneta, a porta escancara-se e... então... nossos olhos se encontram. Feito um flash que cega por segundos, os sentidos perdem-se; resta a mim apenas abraçar seu corpo por mais uma vez como se fosse a primeira. E pouco a pouco retomo a consciência, o que havia de incomodar ficou do lado de fora; nosso mundo enfim recriado.
Que tamanha sorte tenho em tê-la, meu amor. Faz um ano, que muito mais parece, invisto meu tempo pensando em ti e, cuidadosa e carinhosamente, elaborando ora surpresas ora planos. Não há sensação no mundo que equivalha ao sentimento que guardo em mim, no coração. Nunca nada tão intenso foi vivido.
Com a soma de todas as palavras acima, explicito e reforço meu agradecimento pela sua companhia, atenção, amizade, carinho... Exijo que muitos outros anos caminhem até nós, pois ao menos no nosso mundo somos o centro de tudo.
Nestas vezes em que o acaso existe...
engana-se! Nada segue fora do traçado.
Os lábios doentes já esperam cura
antes da especulação do cansaço.
Como suas palavras quase não nos juntou?
Mas quando nada daria certo fez-se a comemoração.
Sem acreditar, espancava o vento com socos;
gritava: "É campeão, é campeão!"
E este, quão único, foi só o primeiro beijo.
Daqueles tão certos de que aconteceria,
de que a conta seria paga mesmo não tendo gastos.
Agora sou dela. Digo: dane-se Maria.