Aponto o controle remoto para o além. Aperto seus botões veloz e furiosamente a fim de algo. Não sei ao certo. Queria sossego eterno, talvez morreria de tédio, mesmo assim, pressionava o botão que parava a cena. Nada, como esperado, aconteceu. No mais tardar, ao longe o controle sem controle foi-se.
Nessa órbita incansável, com esse sentimento de tempo corrido, devo admitir que enlouqueço. Era quase o prometido, porém, às vezes, é preciso desistir das moedas e trocá-las por pedras. Deixar de lado o que talvez nem fosse tão necessário por algo mais concreto. E quando decididamente parti para separar com pontos finais as partes, fui surpreendido.
Em minha mente tudo estava certo: centrar-me mais, concentrar-me. Acontece que conquistei público, não tão público, mas conquistei. Tornou-se dependência quase que sem intenção quando este, onde agora lê essas palavras, era composto só de velharias. Agora também é exposto, é estampa.
Estou grato!
Admito que despecebidamente iria acabar com uma certa virtude construída. Mas, contrapondo minha força ao pressionar o botão, o tempo não parou, minha vida segue. Com o esclarecimento exato: ainda continuarei revisando meus conceitos, visando um respeito. Talvez menos assíduo, no entanto com a mesma intensidade. Afinal, um refúgio nunca pode ser descartado...