Desta vez não tinha frio.
Meu algodão de pele lisa
esperava o amanhecer ali,
e parada, e seminua, e isso.
Encarava meus olhos de sono
como se ainda quisesse algo
(e no fundo não errei).
No embate da noite, de tanto,
não houve empate: perdi.
Com a graça de batalhadora,
fez o desejo forçar um ensejo
e encenamos mais um filme.
Desta vez já tinha sol.
Meu algodão de pele cansada,
então, assim declarou:
- Nesse jogo só há vencedor
quando ambos perdem o combate.
Depois de um cochilo
demorado, cutuquei-a:
- Ah... hoje não, amor.
Estou cansada.
Voz rouca e desnutrida.
Mal me importei,
virei-me
e voltei a dormir.