Num bar d'hotel, estou a olhar (sem pretensões),
uma garota que não sabe nem andar
de mãos abraçadas com um outro rapaz.
Eu via preconceito nos vidros dos carros,
nas placas de "vende-se", no toque do celular;
Enquanto que os magrelos corpulentos gargalham
e se divertem na mesa de bilhar. Ora pois,
o que há de errado em não querer dançar?
Com chaves no bolso ao estacionamento vazio;
o rádio zumbindo, eu de olhos fechados...
com meu corpo a descansar. Ora pois,
o que há de certo nessa minha vida?
Preciso de um novo ar para respirar
e de uma garota que saiba andar
de mãos dadas com um rapaz. Pois olha,
vende-se um prédio logo a nossa frente!
Hoje, o amor é uma propaganda de TV:
em pequenos intervalos,
vemos anúncios diferentes. Ora pois,
mude de canal, ou desligue-a de vez.
Se há sinônimo de amar, este sim,
tem mais valor: o silêncio dos gestos
seguido de suspiros na respiração.
Ora então, o que há de errado em vender amor?