1. 05 August 2010

    O encaixe do ponto que se repete

    O encaixe do ponto que se repete

    Quando penso duas vezes em como agir,
    preciso de uma outra chance de pensar.
    A cada tentativa, acerto com os erros;
    cada sinônimo é um desvio com o mesmo fim.
    Há quem diga que versos brancos não rimam
    e o surreal é acreditar que rimam sim;
    para o leitor, o que importa é só clichê.

    Talvez, às vezes, o que escrevo sobre você
    não venha a ser nada de tão ruim.
    São só palavras embaralhadas, sem sentido,
    que se repetem, se repetem comigo.

    Se quando penso como devo agir;
    acabo por tropeçar em uma contradição.
    A cada verso, bocejo com os olhos;
    Cada antônimo é um caminho oposto do fim.
    Culpa da ironia do destino,
    que quando me viu menino disse:
    - Serás um Zé qualquer como ninguém.

    Às vezes, talvez, o que leio sobre você
    venha a ser tudo tão bom.
    São tantas palavras enfileiradas em ordem,
    que se encaixam, se encaixam comigo.